Troca de cigarros tradicionais por cigarros eletrônicos salvaria milhões de anos de vida, diz estudo

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Troca de cigarro tradicional por cigarro eletrônico pode salvar milhões de vidas

A troca de cigarros tradicionais por cigarros eletrônicos, nome dado aos aparelhos que simulam o ato de fumar, sem queima de tabaco, ao longo de um período de 10 anos, poderia acelerar o progresso das políticas de controle do tabaco nos Estados Unidos, evitando milhões de mortes prematuras e economizando milhões de anos de vida, de acordo com um novo estudo.

Entre as mortes estão aquelas por câncer de pulmão, a maioria associada ao tabagismo. De fato, o tabagismo causou uma epidemia de câncer de pulmão, de acordo com Peter Boyle, PhD, presidente do International Prevention Research Institute, em Lyon (França).

Ele observou que em 1912, o câncer de pulmão foi descrito como um dos tipos de tumores mais raros. Desde então, tornou-se o câncer mais comum. Ganhar a guerra contra o tabaco significa ganhar a guerra contra o câncer de pulmão, disse ele.

A troca de cigarros tradicionais por cigarros eletrônicos pode gerar ganhos substanciais

O novo estudo projeta os resultados da mortalidade a partir das taxas atuais de tabagismo e as compara com dois modelos de substituição usando os cigarros eletrônicos: um “otimista” e o outro “pessimista” – com base em estimativas de iniciação, cessação e risco conhecido do uso de cigarro eletrônico.

troca de cigarros tradicionais por cigarros eletrônicos - David T. Levy cigarro eletrônico
David T. Levy

Se a mudança para o cigarro eletrônico reduzisse a prevalência de tabagismo para 5%, isso evitaria 6,6 milhões de mortes prematuras, e economizaria 86,7 milhões de anos de vida, diz David T. Levy, e colegas, do Lombardi Comprehensive Cancer Center, no Georgetown University Medical Center, em Washington, DC.

Os fumantes mais jovens se beneficiariam mais, com um ganho de 0,5 na expectativa de vida média projetada para aqueles com 15 anos em 2016, de acordo com os autores do estudo em um artigo publicado on-line em 2 de outubro no periódico Tobacco Control.

“Nossa análise mostra que uma estratégia de substituição do cigarro para o uso de cigarros eletrônicos pode gerar ganhos substanciais, mesmo com suposições conservadoras sobre os riscos relacionados”, escrevem os autores do estudo.

Levy e colegas também comentam que o papel dos cigarros eletrônicos no controle do tabagismo continua controverso. As divisões dentro da indústria de controle do tabaco sobre a utilização de produtos de risco modificado, como os cigarros eletrônicos, foram fomentadas pelas estratégias da indústria do tabaco para “dividir e conquistar”, afirmam. No processo, a comunidade de controle do tabaco “pode ter perdido foco nos cigarros, a forma mais mortal de entrega de nicotina”.

Em uma entrevista, Levy disse que os cigarros eletrônicos podem fornecer um novo método de abandono do fumo para usuários que tentaram e não conseguiram parar de fumar usando métodos tradicionais. “O que estamos vendo é uma grande redução no tabagismo quando as pessoas mudam para cigarros eletrônicos”, disse ele ao Medscape. “O importante é que eles deixem de fumar cigarros”.

No estudo, a mortalidade associada ao tabagismo foi principalmente causada por cigarros e charutos, incluindo pequenos charutos e, em menor grau, pelo tabaco sem fumaça, disse Levy. Por causa do prestígio dos autores e do fato de ser publicado em uma revista anti-tabagismo, o estudo recebeu uma cobertura positiva considerável na imprensa.

Abaixo podemos ouvir o áudio original(em inglês) onde Becky Freeman conversa com Dave Levy, do Centro Médico da Universidade de Georgetown, sobre o artigo recente intitulado “Mortes potenciais evitadas nos Estados Unidos, substituindo os cigarros por cigarros eletrônicos”: